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Pendências em documentos de imóveis podem atrasar vendas, financiamentos e inventários

Diferenças entre dados da matrícula, IPTU e outros registros podem permanecer despercebidas por anos e aparecer somente quando o proprietário precisa negociar ou transferir o bem

Um imóvel pode ser utilizado normalmente durante anos e, ainda assim, apresentar divergências documentais capazes de dificultar uma venda, um financiamento ou até um processo de inventário. Diferenças entre informações registradas na matrícula, no IPTU e em outros cadastros muitas vezes só são percebidas quando o proprietário precisa movimentar o patrimônio.

As inconsistências não significam necessariamente ausência de documentação. O problema pode estar em informações diferentes sobre área, endereço, titularidade ou outros dados cadastrais registrados em documentos distintos.

Nessas situações, a identificação antecipada das divergências pode ajudar o proprietário a compreender quais informações precisam ser verificadas e quais procedimentos podem ser necessários para regularizar o imóvel.

“A regularização começa antes da correção de qualquer documento. É preciso primeiro entender o que está registrado, quais informações estão divergentes e onde está cada uma delas. Quando esse levantamento é feito de forma manual, o processo pode envolver diferentes consultas e uma comparação cuidadosa dos dados. A tecnologia permite organizar essa etapa e tornar mais objetiva a identificação das pendências”, afirma Lara Praça, CEO da Readi, empresa especializada em regularização documental de imóveis.

Quando a conferência é realizada manualmente, o proprietário pode precisar localizar documentos, solicitar certidões, consultar diferentes canais e comparar as informações encontradas. Mesmo uma diferença aparentemente simples pode exigir novas verificações para identificar sua origem.

Tecnologia na análise documental

Ferramentas digitais vêm sendo utilizadas para automatizar parte da coleta, organização e comparação dessas informações. Uma delas é o Imóvel Scanner, desenvolvido pela Readi. Na versão gratuita para diagnóstico, o proprietário informa a matrícula e a inscrição do IPTU para que a plataforma faça o levantamento dos dados utilizados na análise e apresente possíveis divergências em um relatório.

“A tecnologia ajuda a transformar uma busca que tradicionalmente depende da reunião e comparação manual de documentos em uma consulta mais organizada. Ao visualizar as divergências entre as informações do imóvel, o proprietário consegue entender quais pontos precisam ser verificados com maior atenção e avaliar os próximos passos para a regularização”, explica Lara.

A tecnologia também pode ser aplicada à gestão documental de empresas responsáveis por diferentes imóveis ou unidades. Outra ferramenta da Readi, o GLA (Gestão de Licenças e Alvarás), reúne documentos como licenças e alvarás em um mesmo ambiente, permitindo acompanhar prazos de vencimento e o histórico da documentação.

Segundo Lara, a centralização pode facilitar o controle, mas não elimina as exigências previstas para cada situação.

“No caso das empresas, centralizar licenças e alvarás em um único ambiente facilita o acompanhamento dos prazos e reduz o risco de que um documento importante seja perdido ou fique desatualizado. A tecnologia não substitui as exigências legais nem a análise necessária em cada situação, mas ajuda a tornar a gestão documental mais organizada e previsível”, afirma.

A identificação de uma divergência também não significa, por si só, que o imóvel esteja irregular ou impossibilitado de ser negociado. O diagnóstico funciona como uma etapa inicial para apontar informações que precisam ser conferidas e, quando necessário, corrigidas antes de operações como venda, financiamento ou transferência da propriedade.