
O lipedema ganhou os holofotes e dominou as redes sociais. Após diversas influenciadoras digitais compartilharem suas jornadas com a doença, a conscientização sobre o tema deu um salto inédito. No entanto, o "hype" na internet trouxe um efeito colateral perigoso aos consultórios: a onda do autodiagnóstico. Hoje, muitas mulheres que sofrem com inchaço, celulite ou dificuldade para emagrecer acreditam automaticamente que têm lipedema.
Nesse contexto, o Dr. Victor Hugo, angiologista, cirurgião vascular e cofundador da Clínica VHG, alerta que nem toda perna grossa ou inchada é sinal da doença crônica. Segundo o especialista, o diagnóstico diferencial é o passo mais importante antes de iniciar qualquer tratamento, pois as causas do volume nas pernas exigem abordagens completamente diferentes.
"A internet prestou um grande serviço ao tirar o lipedema da invisibilidade, mas precisamos de cautela. Recebo diariamente pacientes convictas que têm lipedema por causa de vídeos no TikTok, quando, na verdade, apresentam insuficiência venosa (varizes), linfedema ou obesidade. O tratamento errado gera frustração financeira, emocional e não resolve a dor", explica o médico.
Para ajudar a população a entender os sinais clínicos do próprio corpo e evitar conclusões precipitadas, o cirurgião vascular elaborou um guia rápido com as principais diferenças visuais e físicas entre as condições.
Guia Explicativo: diferenciando os inchaços nas pernas
1. Lipedema
-
Como identificar?: O acúmulo de gordura é desproporcional. A mulher pode ser magra da cintura para cima, mas tem pernas muito grossas.
-
O detalhe visual: O inchaço para no tornozelo, poupando os pés. Cria-se um efeito visual de "garrote" ou "bracelete".
-
Sintomas marcantes: A gordura dói ao simples toque (até mesmo o aperto do gato no colo ou de uma criança machuca) e a pele fica com hematomas roxos sem motivo aparente. Não melhora com dieta ou exercício.
2. Linfedema
-
Como identificar?: É um inchaço causado por falha no sistema linfático, onde há retenção de líquido rico em proteínas, e não proliferação de gordura.
-
O detalhe visual: Frequentemente é assimétrico (incha muito mais uma perna do que a outra) e acomete os pés. O pé fica com aspecto de "pão", inchado e sem as marcações dos tendões.
-
Sintomas marcantes: Diferente do lipedema, o linfedema clássico geralmente não é doloroso ao toque, causando mais uma sensação de peso extremo e repuxamento da pele.
3. Insuficiência Venosa (Varizes e Má Circulação)
-
Como identificar?: O inchaço é causado pela dificuldade do sangue em retornar ao coração
-
O detalhe visual: Pode vir acompanhado de veias dilatadas, vasinhos e, em casos crônicos, manchas escuras na região do tornozelO
-
Sintomas marcantes: O inchaço piora ao longo do dia e no calor. A perna amanhece fina e termina o dia pesada. Elevar as pernas traz alívio rápido.
4. Obesidade ou Sobrepeso
Como identificar: O acúmulo de gordura é generalizado e proporcional em todo o corpo (rosto, tronco, braços e pernas).
Sintomas marcantes: A gordura não é dolorosa ao toque. Há uma resposta positiva e direta à reeducação alimentar e à prática de atividades físicas, reduzindo medidas de forma global.
O Dr. Victor Hugo reforça que, muitas vezes, essas doenças podem coexistir. Uma paciente pode ter lipedema e, ao mesmo tempo, varizes ou obesidade associada, o que confunde ainda mais o quadro. "O diagnóstico definitivo exige avaliação clínica presencial. O toque do especialista, o histórico da paciente e exames como o ultrassom Doppler são fundamentais. A informação da internet serve para acender o alerta, mas apenas o médico pode desenhar o plano de tratamento seguro", concluiu.
SOBRE A CLÍNICA VHG E O DR. VICTOR HUGO:
A Clínica VHG atua na área de saúde e estética vascular em Fortaleza. Cofundador do espaço, o Dr. Victor Hugo é cirurgião vascular e membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). É graduado em Medicina pela Unichristus (2013), com residências em Cirurgia Geral (HGF, 2016) e Cirurgia Vascular (UFC, 2018), além de mestrado em Tecnologias Minimamente Invasivas (2017).